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     ARTIGOS

DENUNCISMO NA PAUTA
O poder das matérias pagas


Por Por Alberto Dines em 28/07/2006

Alguém que, de alguma forma, está envolvido com uma das partes de uma pendência tem condições de oferecer um juízo isento? Este observador vai tentar, o leitor o julgará.

No dia 13/7, o "Segundo Caderno" do Globo ocupou a sua capa inteira com uma matéria sobre um suposto escândalo na OSESP, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). A matéria chamou a atenção por duas razões: o jornal está cada vez mais carioca, cada vez mais voltado para o show business, e, de repente, ocupa-se com uma "troca de acusações" na direção de uma das melhores orquestras deste continente cuja sede é em São Paulo.

O conteúdo da matéria não era faccioso, o título foi cauteloso ("Barulho na OSESP"), mas todos sabem que o Rio de Janeiro, infelizmente, está perdendo a competição com São Paulo em matéria de música erudita justamente por causa da qualidade da OSESP e a evaporação da veterana carioca OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira).

Qual a natureza do escândalo na OSESP?

Uma irregularidade abortada no âmbito do Concurso Internacional de Piano Villa-Lobos, um mega-evento, o maior do seu gênero no Brasil. A direção da OSESP descobriu irregularidades na seleção dos finalistas e não as abafou: exonerou o diretor do certame e parte do júri demitiu-se porque não queria envolver-se numa questão desagradável. Mas a seleção dos finalistas prosseguiu e o concurso deve realizar-se normalmente.


Só pagando

Dois dias depois, em duas páginas na Veja (edição 1965, de 19/7/2006, págs. 110-111) o incontrolável toque marrom: "Fraude em tom maior – escândalo abala o concurso internacional de piano da OSESP"; e, no texto, insinuações sobre a idoneidade do concurso.

O Estado de S.Paulo foi mais equilibrado, a Folha menos. A direção da Veja recusou qualquer reparação, retratação ou esclarecimento sobre o que realmente aconteceu. Mas aceitou 100 mil reais pela publicação de um informe publicitário no qual a direção da OSESP procura explicar em detalhes o que aconteceu (Veja nº 1966, pág. 117).

A Folha aceitou 20 mil reais para publicar na "Ilustrada" o mesmo esclarecimento (20/7, pág. E-3).

Em nota oficial a OSESP esclareceu que as despesas com a publicação destas matérias serão retiradas dos recursos da Fundação OSESP e não das dotações do governo do estado de São Paulo.

Resumo da ópera: dois dos maiores veículos impressos do país iludidos pelo denuncismo só aceitam esclarecer os seus leitores mediante pagamento.

Este observador é membro do Conselho de Administração da OSESP.


Fonte: www.observatoriodaimprensa.com.br