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     ARTIGOS
O Euísmo
Por José Roberto Torero

Carente leitora, cretino leitor, vocês já estiveram em Brasília? Mesmo que jamais tenham visitado a capital federal, sabem que é uma cidade cheia de políticos, com ruas largas e belos edifícios.
Talvez saibam também que Brasília é uma cidade tomada por religiões dos mais variados tipos e espécies. Além das seitas tradicionais, como igrejas católicas e protestantes, temos templos budistas, o Vale do Amanhecer, o culto a Dom Bosco e ainda a estranha pirâmide da Legião da Boa Vontade.
Mas isso não é tudo. Na capital federal há tendências religiosas ainda mais curiosas, como:
– os borboletas púrpuras, que só se reúnem na primavera e ficam dançando nas praças da cidade com suas túnicas coloridas;
– os gideões da alvorada, que cultuam o nascer do sol e não podem fazer nada, nem dizer nenhuma palavra enquanto ele surge no horizonte;
– os adoradores dos O.V.N.I. (Onipotentes Visitadores do Nada Infinito), que estão construindo, em Planaltina, uma cidade para receber seres alienígenas;
– a legião do buritizal, cujos fiéis são obrigados a plantar um buriti em sua casa e só se alimentam, se abrigam e se vestem com produtos extraídos ou fabricados a partir dessa árvore;
– os irmãos da cachoeira, que adoram as águas e sempre se reúnem sob caudalosas cascatas, motivo pelo qual estão sempre resfriados.
Acho que essa busca pelo maravilhoso se explica pelo fato de que todo homem, no fundo, quer ser um deus. Todos, ou quase, temos os desejos de eternidade, de onipotência e de poder absoluto.
E Brasília é o lugar onde aqueles que têm esse desejo ainda mais forte se encontram. Uma espécie de terra de Marlboro de pretendentes a deuses.
Pensando nisso, decidi investir minhas economias na fundação de uma nova seita: o Euísmo. A sede, é claro, será na capital federal. Ela será uma imensa esfera espelhada, da altura de um prédio de três andares.
Já pensei também em todo o ritual do Euísmo. Depois de pagar o dízimo (alicerce de toda igreja), o visitante entrará pela porta, beijará sua mão direita e dirá: “Eu me abençoe”. Depois, beijando a esquerda, responderá: “Eu te abençôo”.
Aí ele avançará por um corredor e chegará ao pavilhão central. Não haverá nada no interior do templo, apenas espelhos. O fiel irá caminhar, então, até o centro da sala, vai se ajoelhar e ficar adorando a própria imagem. Por fim ele se levantará, abraçará a si mesmo e dirá: “Que eu esteja comigo. Amém.”
Obviamente dois euístas jamais poderão entrar juntos no templo, já que o objetivo do culto é a absoluta concentração de pensamentos, energias, desejos e vibrações positivas em torno de si mesmo. Pensar no próximo, ter compaixão pelo semelhante ou dividir o que quer que seja são considerados pecados capitais para os adeptos dessa crença.
Não tenho certeza, mas acho que vou ficar rico.



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