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     ARTES VISUAIS

Soto: a construção da imaterialidade no Tomie Ohtake

O Instituto Tomie Ohtake traz ao público paulista a mostra Soto: A Construção da Imaterialidade, depois de ter sido apresentada com sucesso no CCBB do Rio de Janeiro. Jesús-Rafael Soto, que faleceu dias antes da abertura da exposição na cidade carioca e tinha a intenção de vir à abertura em São Paulo, é considerado um dos mais importantes artistas plásticos da América Latina que marcou a arte mundial no século XX. “Esta exposição é uma rara oportunidade de se conhecer melhor este expoente da arte construtiva, o formulador não da representação, mas da criação do objeto em si, conforme tão bem conceituou Merleau-Ponty, com uma obra que instiga o espectador a participar de suas esculturas, objetos e instalações”, declara Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake.

Com curadoria de Paulo Venâncio Filho, a exposição, que ocupa três grandes salas do Instituto Tomie Ohtake, acompanha a trajetória coerente do trabalho de Soto – o mais antigo da mostra é de 1952 -, apresentando desde as históricas e pioneiras obras cinéticas até sua produção mais recente. Além de proporcionar uma visão panorâmica desta vida de criação, a mostra traz alguns trabalhos jamais exibidos ao público, como a Esfera Theospácio e Ovale Moutarde. A exposição também traz a São Paulo o Penetrável do Museu de Arte Contemporânea da USP.

Artista de tremenda ousadia e de constante renovação, em estado de permanente curiosidade e investigação de novos domínios, Soto se manteve, em mais de cinqüenta anos de trabalho, um permanente sonhador em busca de novos meios para avançar na produção e na percepção da arte. Segundo Paulo Venâncio, numa definição mais simples possível, “a arte cinética procura introduzir o movimento na obra, seja ele real ou virtual, seja através de elementos móveis ou efeitos óticos”.


Artistas brasileiros num diálogo inédito com a obra de Soto

Além da exibição da obra do venezuelano, a mostra possibilita um diálogo com artistas brasileiros contemporâneos de Soto, abstrato-geométricos e cinéticos, que terão também obras expostas. “A idéia é evidenciar um dos momentos altos da arte moderna e a importantíssima e pioneira contribuição latino-americana que ainda influencia e estimula a arte e artistas da atualidade”, define Paulo. “Em uma das salas será estabelecida uma relação entre obras de Alfredo Volpi, Willys de Castro, Franz Weissmann, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Sérgio Camargo, Lygia Pape, Arthur Luiz Piza, Amílcar de Castro”, completa o curador.

As 38 obras de Soto que estarão expostas no Instituto Tomie Ohtake estão vindo da Fundação ligada ao Museu que leva seu nome em Ciudad Bolívar, da Coleção Cisneros e de particulares além do Museu de Arte Contemporânea da USP.

Jesús-Rafael Soto viveu em Paris nos últimos 50 anos. No Brasil, participou de cinco Bienais em São Paulo, teve uma grande mostra itinerante (vista em São Paulo, Curitiba, Salvador e Porto Alegre, que não veio ao Rio de Janeiro) em 1997 e uma mostra individual em 2002, também em São Paulo, quando em entrevista a Maria Hirszman para O Estado de S.Paulo ele declarava: Sobre uma “ausência de emoção” na arte cinética: Acredito que a matemática é poesia pura. (...) se você não tem um sentido poético, não consegue captar coisas muito sutis, universais, não pode chegar à arte cinética. O que são os poetas? São pessoas que estão procurando elementos que estão dispersos e tentam pegá-los. (...) É que na realidade minha função é tomar o material e convertê-lo de elemento rígido em elemento vibratório, levando a uma possível desmaterialização conceitual e óptica. Há muito pouco cálculo. Só trabalho com cálculo quando tenho que fazer coisas grandes, que envolvam arquitetura, porque não posso me equivocar. No ateliê é possível errar e recomeçar.

Meu interesse era ensinar as pessoas (...) que não se deram conta de que o espaço e o tempo são entidades maravilhosas, às quais pertencemos e que são cheias de possibilidades, (...). Meu interesse é despertar um pouco a consciência de que o espaço é uma entidade plena, elástica que não apenas nos envolve. Quis mostrar que fisicamente somos espaço/tempo. E como despertar esse interesse? Era necessário inventar coisas. Não era possível fazer com a tela, com a pintura. Estou fazendo o mesmo que o homem pré-histórico, que estava buscando como fazer o movimento e então descobriu como fazer um cavalo, um bisão; e ademais fez a melhor pintura do mundo.

Sobre o possível esgotamento da linguagem que ele utiliza: A pessoa utiliza a escrita que lhe convém para isso. Você senta e escreve com as mesmas vinte e tantas letras que tem o alfabeto. Colocando-as acima, abaixo, ao lado, segue-se escrevendo e fazendo obras maravilhosas, com as mesmas letras.


Sobre o artista

Jesús-Rafael Soto nasceu em 1923 em Ciudad Bolívar, Venezuela e faleceu em janeiro de 2005. Aos 27 anos vai para Paris onde é influenciado profundamente pela arte construtiva geométrico-abstrata de Mondrian e Malevitch. Soto é considerado um dos pioneiros da arte cinética, que procura aplicar o movimento nas artes plásticas. Com seu trabalho Metamorfosis de 1954 introduz o movimento ótico na pintura. Realiza em 1967 seu trabalho ambiental, o primeiro Penetrável, que exige que o espectador “entre” dentro da obra. Toda a trajetória artística de Soto é uma pesquisa sobre a visualidade, a luz, o movimento, a vibração, como fenômenos sensoriais e imateriais que envolvem o espectador. Em 1973 inaugurou em Ciudad Bolivar a Fundación Museo de Arte Moderna Jesús Soto, projeto do renomado arquiteto venezuelano Carlos Raúl Villanueva, cujo acervo reúne obras suas, do abstracionismo geométrico e da arte cinética, inclusive de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Sérgio Camargo de que foi amigo.



Exposição Soto: A Construção da Imaterialidade

Data e horário
Abertura 27 de abril, às 20h
Até 3 de julho de 2005
Terça a domingo, das 11h às 20h

Local Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201
[entrada pela Rua Coropés, 88]
Pinheiros São Paulo SP
Fone: 11 2245.1900


Fonte: Marcy Junqueira / São Paulo SP Brasil