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     ARTES VISUAIS


Tiradentes Maria Fumaça Tiradentes Tela Matriz

OSCAR ARARIPE
Tiradentes Revisitada



Conheci Tiradentes em 1965, com Maria Fernanda, Oton Bastos, Isolda Cresta e o maestro Edino Krieger, ocasião em que montamos no Solar dos Ramalho uma adaptação do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Havíamos estreado a peça no Teatro de Ouro Preto, durante um dos primeiros festivais de inverno, e na volta fizemos esta representação em Tiradentes, vividamente assistida por muitos antigos tiradentinos. Naquela época Tiradentes era igual e ao mesmo tempo muito diferente de hoje. Igual porque ali estava tudo que a faria singular, seu povo, sua magnífica Serra e Igreja Matriz, esta caixinha de jóias que é a Igreja do Rosário, onde me casei com Cidinha, o alto do São Francisco, tão bem visto de meu atelier, o Chafariz inclinado como o Parthenon, o trenzinho e todo o seu conjunto harmonioso e tão belamente humano. Ali estavam as casas que haviam vencido o modernismo destruidor. Ficou o quarto sacana do Padre Toledo. Vai ficar: a futura pinacoteca da Cadeia. Todas as pedras. Pois bem, nunca pensei que anos depois viesse a morar na cidade, e por tantos anos, e ver nossos gêmeos Octávio e Victtoria nascerem aqui e correr por esta Ladeira da Matriz, que tanto amo, e onde mais fui feliz. Sim, Tiradentes me deu a oportunidade de uma pintura alegre e feliz, radiosa e sem arrogância, nova e transparente. Intuitivamente, pensando muito, aos poucos, fui fazendo a obra. E' claro que a radiosidade e a alegria de meus quadros de Tiradentes, Ouro Preto e de toda Minas não está só no motivo, sendo, portanto, uma construção pessoal, natural. Contudo, foi em Tiradentes, por sua palheta gentil, suave, onde mais se esclareceu esta minha visão do barroco e das montanhas mineiras, já que o barroco é a linha, a alegria, a liberdade, as volutas, a sensualidade. Barroco sou eu.

Em Tiradentes construí meu mais belo atelier e ao longo destes anos passaram por minha galeria muitos amigos e visitantes de todo o mundo.

Tiradentes homenageia nosso maior herói e para mim é a mais bela e linda pequena grande cidadezinha do mundo.

De modo que cinco anos depois de morar e pintar a Bahia e o Ceará, seus mares e praias, e casarios, eis que volto a pintar Tiradentes, numa revisita de pura imaginação.

Dedico esta exposição à Zizinha, minha amiga e vizinha, recentemente falecida, mas que não passou... como tudo nesta terra, como Tiradentes, Zizinha ficou, e por tantos e tantos bons e belos motivos. Saudades de Zizinha, saudades de Tiradentes.


Oscar Araripe
Abril de 2005



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