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     ARTES VISUAIS

CCBB-SP apresenta Mary Vieira
O Tempo do Movimento


Centro Cultural Banco do Brasil inaugura no dia 29 de janeiro de 2005, às 15 horas, a exposição Mary Vieira - O Tempo do Movimento, com a curadoria de Denise Mattar e a consultoria do ISISUF (Istituto Internazionale Studi sul Futurismo). A mostra - que tem entrada franca - reúne, pela primeira vez no Brasil, um conjunto significativo de esculturas, serigrafias, maquetes e fotografias, traçando o percurso estético da artista desde o início de seu trabalho, no Brasil, no final dos anos 1940, até 2001, ocasião de sua morte na Europa.

Poética e Obra
A partir de sua formação, iniciada em Belo Horizonte com Guignard e posteriormente na Escola de Ulm, na Alemanha, Mary Vieira empreende um percurso de profunda inovação, baseado numa síntese da arte concreta e de uma nova ênfase sobre a participação do espectador na criação da experiência estética, por meio de formas múltiplas. Através do tempo e do movimento Vieira desenvolve uma poética de valor internacional. Mudando-se para a Suíça em 1951, a artista percorre um caminho original e coerente, sendo hoje reconhecida em toda a Europa como uma das mais significativas representantes da arte cinética.

A maior parte das obras da exposição vem do Arquivo Belloli-Vieira, aos cuidados do Isisuf (Milão - Itália), que desenvolve também um trabalho de pesquisa, avaliação e autenticação da obra da artista. Um catálogo geral da obra de Mary Vieira está atualmente em processo de compilação pela instituição. A este corpo principal foram acrescidas obras de coleções suíças e de instituições brasileiras, como: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - Coleção Gilberto Chateaubriand; Museu de Arte Brasileira da FAAP; e Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Percurso da mostra
No hall de entrada, encontra-se o filme de Rubens Richter sobre o Polivolume: Ponto de Encontro ­ (1970), localizado no Palácio Itamaraty de Brasília. Trata-se de um documentário realizado em 1970, sob a supervisão da própria Mary Vieira, para ser apresentado na Bienal de Veneza. O filme mostra a escultura e demonstra como suas infinitas interações dão oportunidade ao público de vivenciar uma experiência interativa e co-criativa.

No 2º andar está reunida uma série de esculturas, que oferece a chance de acompanhar o desenvolvimento histórico da estética de Mary Vieira. São trabalhos que exploram as infinitas possibilidades de mutação da forma e da luz num ininterrupto diálogo estético com os espectadores. A obra de abertura é Tempos de um movimento: luz-espaço a + b, de 1955. Neste trabalho a artista apresenta as possibilidades plásticas da reta e da curva, alcançando a essência de sua poética, o tempo como desenvolvimento sintético do movimento. São os anos nos quais, graças a uma troca intensa tanto no plano particular quanto no artístico-intelectual com o artista e crítico italiano Carlo Belloli, Vieira alcança a sua plena notoriedade.

O 3º andar da exposição é dedicado a uma importante seleção das obras monumentais da artista. Mary Vieira exerceu seu domínio estético em espaços públicos na Europa - principalmente na Suíça - e no Brasil. Através de projeções, backlights e maquetes, o público tem a oportunidade de entrar em contato com grande parte destes sofisticados trabalhos: Intervolume Flexibéton (1975), um elegante rodopio de massa em concreto armado, de oito metros de altura, situado nos jardins do Hospital Municipal da Basiléia (Suíça); Polivolume: Conexão Livre (1953), de quatro metros de altura, uma homenagem a Pedro de Toledo, situada no Parque do Ibirapuera (SP); Libertação: Monovolume a Ritmo Aberto (2001), localizada no sopé do Monte Castello (Itália), em homenagem aos pracinhas brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial; e Polivolume: itinerário hexagonal, metatriangular de comunicação táctil (1968), da Biblioteca da Universidade da Basiléia (Suíça).

Ainda neste andar, é apresentado o filme de Virginie Otth e Adrien Cater, realizado especialmente para esta exposição, sobre a obra Polivolume: Função de Forças Opostas(1975), situado no interior do Instituto de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da Universidade de Basiléia (Suíça). Será também mostrado um documentário feito em 1967 pela televisão Suíça, dirigido por Gilbert Bovay, no qual a artista discorre sobre seu trabalho e sua visão da arte.

No subsolo são apresentadas obras de arte aplicada, criadas por Mary Vieira, além de um panorama sobre sua experiência acadêmica e teórica. A artista dedicou-se ao design gráfico, recebendo reconhecimento interna-cional. Vieira lecionou durante mais de 30 anos na Escola Superior de Arte e Técnica da Basiléia (Suíça) e realizou projetos urbanísticos para inserir suas esculturas nos espaços públicos.

Uma grande cronologia reúne fatos biográficos, informações sobre obras, trechos de entrevistas de Mary Vieira à imprensa brasileira e declarações de críticos brasileiros e internacionais, permitindo ao público conhecer mais profundamente a vida e o significado de sua obra. Vitrines especiais mostram também grande parte das publicações nacionais e internacionais sobre a obra da artista; enfim, uma série de contribuições específicas evidencia o seu processo criativo e seus projetos, como maquetes, cálculos para a realização de obras e a maquete de uma de suas primeiras peças, Polivolume: introversão-extroversão, realizada em 1948, em Araxá (MG).


Exposição: Mary Vieira - O Tempo do Movimento Curadoria: Denise Mattar
Abertura: Dia 29 de janeiro/2005 - sábado - às 15 horas
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Térreo) - site: cultura-e.com.br
R. Álvares Penteado, 112 - Centro - S. Paulo - Tel: (11) 3113-3651 / 3113-3652
Horários: De terça a domingo - das 10 às 21 horas - Até dia 27/03/05
Grátis - Censura: livre - Estacionamento conveniado: R. da Consolação, 228 (R$ 7,00 p/ 3 horas + R$ 1,00 p/ hora adicional; transporte gratuito até o CCBB).
Patrocínio e realização: Centro Cultural Banco do Brasil


Biografia
Mary Vieira (1927-2001) nasceu em São Paulo e foi criada em Minas Gerais (Brasil). Estudou com Alberto da Veiga Guignard em Belo Horizonte. Em 1947, expôs no Salão dos Jovens Artistas Brasileiros, organizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, e, no ano seguinte, realizou as primeiras maquetes de uma obra dinâmica, na qual a experiência estética se integra de modo indissolúvel à participação direta e co-criativa do público.

Em 1951, estabeleceu-se na Europa, sendo imediatamente acolhida pelo grupo dos concretistas suiços. Em 1953, Mary Vieira recebeu na II Bienal de São Paulo o Prêmio "Escultor Brasileiro" do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A convite de Max Bill, participou da última exposição do Grupo Allianz, em 1954 na Suíça. Em 1957, Mary casou-se com o poeta e crítico italiano Carlo Belloli, com quem manteve um diálogo intelectual fundamental para o seu percurso estético. O casal viveu e trabalhou entre a Suíça, a Itália e o Brasil. Na Europa, Mary Vieira aprofundou suas propostas de uma escultura de formas dinâmicas, que foram sucessivamente classificadas como: monovolumes, multivolumes, polivolumes e intervolumes. A artista é reconhecida pela crítica internacional como uma das principais representantes da arte cinética. Em 1966, recebeu o "Prêmio Internacional Marinetti para Pesquisas Plásticas de Expressão Cinevisual", por ocasião das celebrações do 20º aniversário da fundação dos "Salons des Réalités Nouvelles", no Museu Municipal de Arte Moderna de Paris.

Muitas de suas obras estão instaladas em locais públicos no Brasil, como na Praça Rio Branco, em Belo Horizonte; Parque Ibirapuera, em São Paulo; e Ministério das Relações Exteriores, em Brasília; e no exterior, como na Biblioteca da Universidade da Basiléia (Suíça); em Monte Castello (Itália); e no Parque Seefeldquai no lago de Zurique. Além de suas esculturas, Mary Vieira desenvolveu uma série de projetos como urbanista, designer gráfica e professora da Kunstgewerbeschülle na Basiléia. Participou de exposições individuais e coletivas na Europa, no Brasil e nos Estados Unidos, recebendo uma série de importantes prêmios pelo seu trabalho. Morreu na Europa em 2001.